sexta-feira, 12 de março de 2010

Meu "parto"


Eu tive uma gravidez maravilhosa, senti enjôos apenas algumas poucas vezes, aproveitei cada dia da gestação da forma mais prazerosa, tinha uma ótima disposição pra tudo, trabalhava, passeava, me divertia, caminhava no jardim botânico e vibrava a cada consulta, a cada exame, a cada ultra, a cada batidinha do coração da Manu, a cada chute (saudades). Eu amava o estado grávida, adorava sair na rua com o meu barrigão, tudo parecia mágico, até mesmo o olhar das pessoas para uma mulher grávida tem um brilho diferente.
Tudo durante a minha gestação saiu perfeitamente como o planejado, menos o meu parto... Não que não tenho dado certo, graças a Deus correu tudo bem e minha Manu veio ao mundo perfeitamente saudável e fez de mim a pessoa mais feliz e realizada do mundo. O que quero dizer quando cito que o parto não foi como planejado foi porque durante toda a gravidez eu me preparei para ter um parto normal, para parir de verdade, eu queria sentir aquela sensação de feminilidade, do poder de trazer um bebê ao mundo, eu li e pesquisei muito na tentativa de aprender algo sobre o parto e não ter dúvidas do que eu queria pra mim e para minha filha, e em todas as minhas buscas de informações eu me convencia cada vez mais que o que eu buscava era simplesmente normal! Eu queria sentir a emoção de ver minha filha nascer e vir direto aos meus braços. Eu li tantos depoimentos de partos e cada vez me empolgava mais para chegar a minha vez e poder vivenciar tudo aquilo a flor da pele como manda o figurino.
Eu estava de 38 semanas e 4 dias, era dia 02 de agosto, um sábado. Pela primeira vez em toda a gestação eu me senti realmente cansada, sem forças, tinha tanta azia que mal conseguia ficar deitada, a última semana tinha sido difícil. À noite, por volta das 8:00 hrs meu corpo começou a dar os primeiros sinais do trabalho de parto, um pequeno medo tomou conta de mim, afinal eu já sabia o que estava começando a acontecer, eram as contrações. Mesmo sem experiência nenhuma comecei a observar os intervalos das contrações com a ajuda do Marcos e quando era 1 hora da manhã resolvemos ir ao hospital porque achei que estavam fortes. Fui internada na mesma hora e passamos a madrugada toda ali entre muitas contrações e muitas dores, mas aquilo só fazia de mim mais forte e mais feliz! Era a minha Manuela, prontinha, querendo vir ao mundo na hora que ela escolheu e sentiu-se preparada para chegar. Passeios pelos corredores, ajuda das enfermeiras que eram tão amáveis e estavam sempre ali ao nosso lado. Mas todo o meu esforço e minha dedicação por um parto normal foram se desmoronando cada vez que as enfermeiras diziam que eu não tinha nada de dilatação. Fiquei ali firme, fazendo a minha parte até amanhecer o dia, até 9 horas da manhã do domingo quando meu médico chegou, ele examinou (a dilatação continuava igual, ou seja, nada!), colheu líquido e veio me explicar que teríamos que fazer a cesárea ou a bebê entraria em sofrimento. Eu estava ali de mãos atadas e pude apenas confiar nas palavras de profissional dele e me sujeitei à cirurgia. Assim a Manu nasceu de cesárea, não foi como planejei, mas isso não fez de mim menos mãe, não me deixou frustrada (ok, um pouco sim no começo, hoje já superei) e não fez de mim menos feliz, muito pelo contrário, eu fiquei em êxtase quando ouvi o seu chorinho, minhas lágrimas caíram novamente igual ao dia que descobri o positivo, as lágrimas de felicidade, de emoção tomaram conta outra vez da minha face. A única coisa que senti muito foi o fato de não poder ter a Manu naquele momento em meus braços de ter que me contentar apenas em colocar um pouco uma das minhas mãos nela, ai como isso doeu em mim. Até hoje eu não sei dizer se realmente a minha cesárea foi necessária ou se meu médico foi precipitado. Só sei que eu carrego a cicatriz da minha cesárea, mas não me envergonho disso, não me sinto menos mulher, menos feminina, menos capaz, porque eu sei de qual era a minha verdadeira vontade, talvez o meu corpo não tivesse preparado. Ah! E a cicatriz é a prova do meu mais verdadeiro, intenso e puro amor.
Quem sabe uma próxima vez!?

2 comentários:

  1. Ai amiga... aconteceu igualzinho comigo... mas achei ótimo, depois, ter sido cesárea.
    Qquer hora te conto o motivo, rsrss
    Ah... e fiquei pensando na próxima vez mas a Ana maria está completando 21 anos mês que vem, e eu fiquei só nela.
    Mas VALEU!
    Bjos

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  2. Ô loko já ta mandando o recado pro Marcos via Blog ? heheh
    Eu tive 2 partos , 1 normal e 1 cesaria ... e confesso q num terceiro não saberia qual escolher pq cada um tem suas particularidades Mari ...
    beijo amiga adorei os posts

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